filmes de hoje e de ontem.

quinta-feira, julho 13, 2006


MAR ADENTRO
Espanha - 2004
Direção: Alejandro Amenábar

Fortes e belas emoções

Um filme que vi faz uns quatro anos e que me marcou muito foi o assustador Morte ao Vivo (1996). Apesar de ter gostado bastante, não me dei ao trabalho de saber quem tinha dirigido o filme. Agora, após a feliz recomendação de assistir a Mar Adentro, descobri que eram filmes do mesmo diretor, Alejandro Amenábar. Morte ao Vivo foi o seu primeiro filme a chamar à atenção e que lhe deu certa projeção.
O chileno radicado na Espanha, escreveu em parceria com Mateo Gil o roteiro baseado na história real de Ramón Sampedro. Trata-se da vida de um homem que ficou tetraplégico na juventude e vive deitado em uma cama há quase 30 anos. Considerando isso uma vida indigna, resolve lutar para conseguir a eutanásia. Apesar de o roteiro não ter nada de extraordinário, Amenábar consegue transformá-lo em uma obra-prima.
Para isso, conta com a ajuda fundamental do ator Javier Bardem, que faz o papel principal. Sua atuação valeu a indicação para o Globo de Ouro de Melhor Ator, além de vencer o European Film Awards na mesma categoria, entre outras premiações. Ele já havia trabalhado também no filme Carne Trêmula do espanhol Almodóvar. Aliás, como costuma ser em todo grande filme, não há espaço para Tom Poste Cruises da vida (apesar de irônicamente Amenábar já ter trabalhado com Cruise em Vanilla Sky). Aqui todos os atores são excelentes.
Mar Adentro, vencedor do Oscar 2005 de melhor filme estrangeiro, é um filme que merece todos os adjetivos que lhe são atribuídos. É uma obra tão forte quanto a primeira, porém usa de sutilezas para provocar sensações. E para isso não basta um bom roteiro, é preciso um diretor que preencha as expectativas latentes que o público nem sabe que tem. Isso é surpreender.
Em vários aspectos o filme se diferencia da média. A linguagem do filme é muitas vezes poética e as cenas quase não tem ação. Com relação à trama, se os objetivos fossem Hollywoodianos, normalmente uma história dessa natureza focaria sua atenção na parte jovem e “feliz” do personagem, como em Titanic por exemplo. Também poderia apelar para um sentimentalismo exagerado para fisgar a atenção dos expectadores. Mas Amenábar prefere concentrar-se na fase atual de Ramón, mostrando o seu sofrimento através de ações simples, porém de grande significado introspectivo.
Quem quiser assistir a esse filme, o que recomendo, deve estar aberto à reflexão sobre coisas simples do cotidiano, porém que não são de forma alguma banais. Detalhes que se olhados com atenção podem revelar sentimentos profundos e que muitas vezes nos passam despercebidos.

1 Comments:

Blogger manoela ebert said...

nem preciso dizer nada sobre esse filme "após a feliz recomendação de assistir a Mar Adentro". hehe
=)

4:58 PM

 

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