filmes de hoje e de ontem.

segunda-feira, junho 26, 2006

FOME ANIMAL
(Dead Alive - USA/ Braindead - Inglaterra) - 1992
Direção: Peter Jackson

Prepare o saco de vômito

Clássico do trash, é um filme tão nojento que acabou se tornando cult. Mas já vou advertindo a quem quiser assistir: é muito nojento mesmo. As náuseas ocorrem de forma crescente, tendo como ponto culminante o massacre do cortador de grama. Mas se o expectador chegou até aqui, normalmente não há mais perigo de vômito. Em geral, as pessoas de estômago impressionável não resistem à cena da sobremesa que ocorre ainda no início do filme.

O filme conta a história de um rapaz, Lionel, que tem sua mãe mordida por um rato-macaco da Sumatra, seja lá o que for isso, e acaba tornando-se uma zumbi devoradora de carne humana(!). Ele tenta esconder a mãe de todos e principalmente de sua namorada, mas a doença acaba se espalhando e a quantia de zumbis se torna incontrolável.

A produção do filme é horrível, o que acaba tornando a experiência muito engraçada também. Destaque para o macaco que inicia a proliferação da doença. O bichinho é tosco, mal feito e o movimento é formado ao estilo Fuga das Galinhas: mexe o boneco e capta um quadro, altera um pouco a posição e grava o próximo. Depois é só rodar o filme pra criar o movimento. O problema é que estavam com preguiça de fazer muitas posições para o monstrinho e o movimento ficou todo quebrado, ao estilo do primeiro King Kong(1933). Fantástico.

Uma curiosidade é que o diretor Peter Jackson é o mesmo que dirigiu O Senhor dos Anéis. Também interessante é que esse filme passou algumas vezes na década de 90 na Band, à tarde, numa seção chamada Cine Trash. Zé do Caixão era o mestre de cerimônia e abria o programa recitando “a praga do dia”. Péssimo e excelente.

sábado, junho 24, 2006

MERA COINCIDÊNCIA
(Wag the dog)

É quase uma metáfora de George Bush, só que o filme é anterior ao
Iraque.

Pra começar bem, no elenco Dustin Hoffman e Robert De Niro, que dispensam comentários.

A história narra a empreitada realizada por um agente secreto, De Niro, e um produtor de cinema, Hoffman, para conseguir reeleger o presidente americano. Como o presidente estava mal nas pesquisas de intenção de voto, principalmente por um escândalo sexual e pela propaganda eleitoral insossa, sua equipe decide que a única forma de reverter a situação era envolver-se numa guerra. Dessa forma, desviariam a atenção do escândalo e a atitude presidencial firme seria a melhor propaganda para a eleição. Mas como fazer uma guerra? Como diria o personagem de Hoffman “this is nothing”. É tarefa dele, aliás, criar a guerra cinematográfica para convencer a opinião pública.

É uma comédia emocionante e ótima para se pensar sobre o poder da comunicação de massa. Claro que é um estereótipo do jornalismo e da política, mas é possível fazer várias analo-gias interessantes com a realidade.

quarta-feira, junho 21, 2006









Dr. Fantástico
(Dr. Strangelove or how I learned to stop worrying and love the bomb)

Este é um filme do diretor Stanley Kubrick (2001: uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica) do ano de 1964. Rodado em preto e branco, é uma comédia para pessoas pacientes, pois o ritmo é mais lento, diferente da maioria das produções atuais. Porém, o humor é acessível e de boa digestão: negro, sutil e inteligente.

O roteiro, baseado no livro Alerta Vermelho, conta a história de um general enlouquecido do exército americano que ordena um ataque nuclear à União Soviética em plena Guerra Fria. Sabendo disso, o governo americano tenta abortar o ataque a tempo, porém os aviões que levavam as bombas estavam propositalmente incomunicáveis. Para piorar, ninguém sabia que os russos haviam inventado uma bomba que se detonava automaticamente em caso de sofrerem um ataque nuclear. Além disso, a tal bomba tinha poder de fogo para acabar com a vida na terra. Essas situações, apesar de absurdas, ilustram bem e de forma sarcástica a questão da Guerra Fria.

Destaque para o ator Peter Sellers que já havia trabalhado com Kubrick em Lolita. Ele representa três personagens nesse filme, sendo o mais impagável o Dr. Fantástico, um ex-militar nazista que trabalhava agora para os americanos. O oficial tem diversos tiques hilários, além de idéias um tanto quanto esquisitas. Detalhe interessante: ele que é supostamente o personagem principal só aparece mais para o final do filme. Recomendo.